Mulher não empreende por que não quer?

As mulheres no Brasil, e em diversas partes do mundo, muitas vezes enfrentam falta de oportunidade, discriminação e violência de formas diferentes das situações enfrentadas por homens. Nos últimos anos, as causas defendidas pelas mulheres já alcançaram diversas conquistas por meio dos movimentos femininos. Apesar disso, sabe-se que ainda existe um nível significativo de desigualdade entre gêneros.

 

Mulheres empreendedoras

O mundo dos negócios, por exemplo, ainda é dominado pelos homens, mas ao longo da história as mulheres estão conquistando seu espaço e passam a ter mais reconhecimento como empreendedoras competentes e de sucesso. Para entender melhor o cenário em que o empreendedorismo feminino se encontra, apresentaremos alguns dados neste artigo.

Existem muitos argumentos que explicam a disparidade entre os gêneros no empreendedorismo ao redor do mundo, uma delas é a educação desigual. Existem milhões de mulheres que são privadas de avançar em seus estudos em diversos países. Quase um quarto das mulheres jovens entre 15-24 anos (116 milhões), nos países em desenvolvimento, nunca completaram a escola primária. As mulheres jovens representam 58% daqueles que não completaram a escola primária. Este gap acadêmico prejudica, e muito, o desenvolvimento de habilidades para empreender.

Na maioria das economias da América Latina e do Caribe, menos de um terço das mulheres empresárias têm níveis de ensino superior e/ou pós-graduação, sendo 4% e 6% na Guatemala e no Brasil, respectivamente.

As mulheres que não frequentam as salas de aula também terão uma probabilidade menor de conhecer pessoas que atuem no mundo dos negócios com suas empresas. Essa realidade foi traduzida em números: apenas 27% das mulheres são mais propícias a conhecer alguém que tenha começado a empreender nos últimos dois anos, comparado com 42% de homens. 

Outro fator, segundo a organização British Council, é a falta de investimento em negócios liderados por mulheres. Um mapeamento feito pela Pipe Social mostra a relutância contínua de investidores e bancos no Brasil em emprestar dinheiro para mulheres empreendedoras, mesmo quando é evidente a superioridade de seus planos de negócios e capacidade de empreendedorismo das pessoas envolvidas. Muitas empreendedoras sociais administram seus negócios sem acesso ao capital, e muitas contam somente com apoio dos 3 F’s (em inglês “family, friends and fools” – famílias, amigos e tolos).  

Apenas 7% do capital de risco é destinado a empresas de propriedade de mulheres, e desses capitalistas de risco que investem em startups, apenas 4,2% são mulheres. Mais de 50% dos líderes empresariais disseram que precisam fazer mais para atrair, reter e promover as mulheres em cargos de liderança.

 

Mulheres no Sinapse da Inovação

A participação das mulheres no Sinapse da Inovação reflete um pouco da realidade do empreendedorismo feminino no Brasil. Na edição mais recente, as mulheres que propuseram ideias no Programa representam apenas 20% das 1791 propostas recebidas pelo Sinapse.

Homens compõem a maioria dos proponentes, porém, as equipes empreendedoras que se inscrevem no Sinapse têm uma composição um pouco mais homogênea, onde as mulheres têm um nível de participação mais equivalente aos homens.

Destacamos alguns cases de empreendedorismo feminino de sucesso que passaram pelo Sinapse na edição passada. São mulheres engajadas, empreendedoras e capacitadas para mudar realidades:

 

Cientista Que Virou Mãe

Duas pesquisadoras, empreendedoras e mães, Ligia Moreiras Sena e Nani Feuser criaram um blog que logo mais viria a se tornar a primeira plataforma brasileira de informação independente produzida exclusivamente por mulheres mães e financiada coletivamente, a
Plataforma Cientista Que Virou Mãe. A empresa que passou pelo Sinapse da Inovação SC, hoje compartilha com centenas de outras mulheres conteúdos como: maternidade, empoderamento feminino, respeito à infância, direitos humanos, saúde coletiva, saúde da mulher, entre outros.

 

Signa

A Signa resolveu intervir na falta de oportunidade dos 9,7 milhões de surdos brasileiros em se capacitar e fazer cursos com qualidade, a partir da sua cultura e língua, a Língua Brasileira de Sinais (Libras). A empresa conta com uma plataforma online adaptada e cursos produzidos didaticamente em libras e com legendas, a Signa capacita e prepara atualmente surdos para o mercado de trabalho, oferecendo para eles a oportunidade de aprender o conteúdo que têm interesse. A empresa que é dirigida pela empreendedora Fabíola Borba, já participou de diversos programas de empreendedorismo como: Start-up Chile, Startup Weekend, Social Good Brasil e Seed.

 

Agrolytica

A empresa de liderança feminina – Fernanda Vollrath e Martha Doubrawa – tem como seu principal produto uma ferramenta de gestão agrícola que estreita o relacionamento com o agricultor e o auxilia numa melhor tomada de decisão. Pensando nas necessidades do agricultor, a Agrolytica desenvolveu um sistema prático e acessível, que gerencia a lavoura de forma inteligente reduzindo tempo em planejamento e permitindo maior dedicação nos trabalhos do campo.

 

Coleção.Moda

Formada em Moda pela Universidade Estadual de Santa Catarina, Thiele Biff foi a proponente da Coleção.Moda, empresa participante do Sinapse da Inovação SC. A empresa tem como principal produto uma Plataforma online que automatiza o processo de criação das coleções de moda. A metodologia têm proporcionado um aumento médio de 20% nas vendas, comprovando o sucesso dos procedimentos para criação de coleções.

 

Mulheres na Tecnologia

O Sinapse da Inovação promoveu o evento de encerramento da sua quinta edição no dia 07 de dezembro de 2017, e teve a presença da Co-fundadora e CEO da Silicon Republic, um dos principais portais de notícias de tecnologia e inovação da Europa. Ann O ‘Dea tratou especialmente da desigualdade de gêneros no setor tecnológico, principalmente quando o assunto é empreendedorismo. A CEO também falou sobre o Inspirefest. Este evento é importante para contribuir para o crescimento do setor e para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas.

 

Assim como no empreendedorismo, as mulheres são minoria na tecnologia. A presença minoritária das mulheres é vista no Vale do Silício, onde apenas 10% das empresas possuem pelo menos uma diretora feminina. Em grandes empresas da região também é possível identificar disparidade significativa. No Facebook apenas 31% dos funcionários são mulheres, o mesmo acontece no Google (30%), Apple (30%) e também no Twitter (30%). 

 

Mulheres no Governo

No mesmo evento de encerramento, Michelle O Donnell Keating, co-fundadora e CEO da iniciativa Women for Election, tratou do tema empreendedorismo social. Em sua apresentação mostrou dados referentes à representatividade das mulheres em cargos públicos na Irlanda, seu país de origem. Michelle explicou as diretrizes e desafios do Women for  Election, em que busca incentivar e apoiar mulheres a assumir candidaturas públicas.

A participação de mulheres em cargos políticos no Brasil também é minoritária: somente 11,9% dos cargos de prefeito e 13,3% dos de vereadores são mulheres. Na Câmara de Deputados, a participação feminina não supera os 9%, e no Senado, as mulheres são apenas 14,8% do total de senadores eleitos. 

Infelizmente, muito ainda precisa ser feito para assegurar o cumprimento das leis homologadas que fortalecem os direitos das mulheres no Brasil. Hoje, grande parte dos empreendedores entendem que mais ações precisam ser realizadas para que as mulheres sejam reconhecidas no mercado.

Mulheres no futuro

No empreendedorismo, na tecnologia, nas universidades e em todo lugar, as mulheres merecem seu espaço! Se você é mulher e enfrenta muitos destes desafios para empreender, conte-nos como você conseguiu superar as barreiras. Mulher não empreende por que não quer? Apesar do ambiente não favorecer o empreendedorismo feminino existem diversos casos que mostram que é possível ultrapassar as barreiras e alcançar grandes sucessos.

Para garantir a mudança é necessário assegurar igualdade de representação entre homens e mulheres nos cargos, realizar mais pesquisas para entender as necessidades de financiamento das empreendedoras, estabelecer metas específicas para portfólios equilibrados por gênero e raça, refletindo a composição demográfica da população brasileira. Além disso, é preciso criar redes de suporte para empreendedoras que incluam a construção de capacidade e desenvolvimento de habilidades.

 

Equipe Sinapse da Inovação

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *